Já não consigo entender mais tanto assim o universo da escrita. Tenho
em mim, um universo de amores, desamores, amizades, e tantas outras
coisas. Tento expressar isso, meus inúmeros pensamentos, sentimentos
resumidos em palavras. Em cartas manchadas de sonhos. Manchadas de
ilusão. E quem sabe até, manchadas com um certo ódio. Nessa carta, eu
tento explicar o que o mundo não consegue ver, as pessoas não conseguem
sentir, e nem conseguem entender. São pequenos rascunhos de explicação.
Pequenos rascunhos de sentimentos. Eu queria realmente que você
entendesse o que eu falo em meus textos. Em minhas palavras. Em minhas
cartas manchadas.
Mas, na verdade, eu acho que você nunca vai sentir, o que eu estou
sentindo enquanto escrevo essa carta. Ou quem sabe, irá entender, porque
talvez você escreva que nem eu. Meio confuso, meio torto, palavras
desnorteadas, e um pouco de loucura talvez. Nas minhas cartas, eu
procuro mostrar liberdade, procuro mostrar dor. E procuro mostrar
silêncio. Cartas essas que nunca serão reveladas. Na verdade mesmo, nas
minhas cartas eu procuro escrever, colocar dentro dela, o que eu sinto, o
que eu senti, e o que eu vou sentir um dia. Talvez, no futuro, eu irei
pegar uma dessas cartas, e irei rir. Ou talvez chorar, pelos momentos.
Poderá ser de saudade, de um tempo que passou e que não voltará mais. Ou
nostalgia, sentirei saudade e irei querer sentir novamente esse
momento.
Sabe, uma vez me perguntaram, se eu tenho medo da verdade. E eu
respondo: Não, eu não tenho medo da verdade. Só tenho medo do que ela
pode causar. Muitas vezes a verdade só te traz dor, tristeza. Mas eu não
estou dizendo, que a mentira vale a pena, porque ela também causa isso.
Eu só digo, que muitas vezes, teremos que mentir. Só para não nos
fazermos sofrer mais ainda. Mas isso já é comum não é? Mentir. Eu não
sei porque estou falando isso em minha carta, acho que senti meio que a
necessidade de explicar isso. Explicar também não é fácil para quem
escreve. E para quem lê, mais ainda. Eu me sinto meio monótoma, meio
estranha, meio confusa. Tudo meio. Não sou inteira ainda. Como eu falei,
ainda. Me sinto faltando algo. Não sei se é alguma pessoa, aquela tal
chamada “cara metade” ou “metade da laranja”, isso não sei. Mas eu só
sei uma coisa, eu vou fazer valer essa carta. Eu vou decorar, encher de
coisas boas. Você não sabe qual carta eu falo? Bem, é a minha vida
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