Sinto saudades de como eu costumava me sentir.
Eu era uma pessoa extremamente calma, mantinha sempre minhas emoções controladas, nunca me estressava por coisas mínimas e procurava pensar muito antes de agir. Eu sabia quando eu estava com a razão e quando eu estava sendo egoísta demais para admitir. Eu costumava a aceitar bem as pessoas e suas opiniões, tentava mostrar à elas o meu lado e quais eram os seus benefícios.
Nunca obrigava ninguém a me aceitar por mais que meus defeitos os incomodassem ou minhas qualidades os ofuscassem. Com o tempo eu fui perdendo as minhas virtudes porque me deixei levar por pessoas que só queriam destruir a minha vida.
Eu sabia amar, e sabia enxergar quem me amava de verdade, isso facilitava o meu ponto de vista e o que eu faria a respeito dessa situação. Me senti confusa com algumas coisas e deixei de me preocupar comigo mesma, passei a apenas atender os pedidos de quem estava ao meu lado, esquecendo-se assim dos meus sonhos que eu planejava realizá-los.
Houve um tempo em que eu acordava de manhã e me olhava no espelho não em reconhecendo. Não porque minha aparência física tinha mudado, ou as marcas do tempo começaram a surgir no meu rosto. Mas sim porque eu via o reflexo dos meus olhos e não sentia mais que eles eram felizes, eu conseguia ver minha alma de tal forma que acho que ninguém jamais pode enxergar, só que isso me machucou. Doeu ver a imagem daquela garota doce e meiga morrendo, doeu ver todas as qualidades que eu reuni minha vida toda, indo por água abaixo.
Doeu saber que eu tinha mudado por tanto tempo e nem tinha percebido. Doeu perceber que não tinha mais volta e que meu caminho eu ja havia começado a trilhar. O que me restava era seguir essa jornada sem olhar para trás, sem deixar uma lágrima escorrer dos meus olhos e sem deixar que meu coração perceba o arrependimento que arde em minha mente. O pior é o sentimento de nostalgia que me domina pro completo todas as noites. A sensação de impotência, por não poder fazer nada para concertar a minha vida. A sensação de tristeza por saber que tudo estava acabado e que a culpa era explicitamente minha.
Sinto saudades de me olhar no espelho e me senti bem comigo mesma. Sinto saudades dos meus sorrisos espontâneos e verdadeiros. Sinto saudades das cores que costumavam brotar na minha mente sempre que eu sentia uma vitalidade extra de viver a vida. Sinto saudades de poder enxergar sempre o lado bom de tudo e fazer com que seja assim sempre. Sinto saudades de poder escrever e me sentir bem fazendo isso…
Sinto saudades de mim mesma, de uma forma que eu nunca pensei que seria capaz de sentir antes, de uma forma angustiante e atormentadora. Como se meu passado jamais pudesse voltar à minha vida para eu poder concertar os meus erros e praticar mais acertos.
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